sábado, abril 29, 2006

A felicidade vai desabar sobre os homens

A primeira impressão é que as ruas se transformaram naquelas do bairro pobre que respira liberdade e um misto de esperança com tristezazinha pequena. Que nada, são só os óculos escuros que fizeram do cinza de tudo amarelo debaixo da luz. As árvores que nunca percebi balançando tímidas com - pasmem- florezinhas no alto das copas. E o sol que me olha por trás dos galhos e por trás das casas no morro. Dia estranho e só vejo sorrisos, sou toda sorrisos também. A correria da gente parecendo tão boba e diminuo o passo. Pena não ter minha câmera aqui, eu penso. Um molequinho deixa cair o sorvete no chão, faz bico batendo o pé e eu acho mesmo que isso é o limite de tristeza que cabe nesse dia. Os ônibus até parecem mais lentos, de tanto que eu insisto em achar em tudo um pedacinho do poema que andei ruminando por esses dias. Porém nesse espaço pequeno de tempo, enquanto caminho numa direção que evito por força do hábito, não cabe nenhuma cogitação séria ou qualquer tentativa de verbalizar as imagens tão comuns quanto preciosas que vou encontrando. Beleza inesperada eu achei hoje numa cidade que me sempre a nega chamada Caxias. Dá vontade de cantar assim:

"Menina , amanhã de manhã
quando a gente acordar
quero te dizer que a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens."

quinta-feira, abril 27, 2006

I wanna be forgotten

Eu preciso estudar, eu preciso esquecer, eu preciso lembrar, preciso calar, preciso falar, preciso fingir, preciso não sentir, preciso aceitar, preciso entender, preciso dormir, preciso relaxar, preciso ligar, preciso desligar, preciso fazer de conta que faço o que preciso fazer senão eu nem sei.

Medo de reconhecer que pode ser a mesma coisa com nome diferente. eu não aguento nem pensar que posso estar caminhando de volta a coisas que de tão ruins ainda me fazem mal, mesmo depois de tanto tempo.

quinta-feira, abril 13, 2006

Prometi pra mim mesma que só postava quando algo tivesse mudado, e por mais de cinco minutinhos. Enfim algo - que eu ainda não consegui definir bem - está diferente. Eu até to estudando Física sem reclamar nos primeiros 10 minutos. Lavo louça, faço lanchinho pro meu irmão e a namorada e ainda deixo o café da minha mãe pronto. E parei de ouvir Los Hermanos de uma vez por todas (só volto quando esquecer as associações que eu fazia).

Eu to me vigiando o tempo inteiro pra não pensar demais. Deixar as minhocas na minha cabeça morrerem de fome, cansei de alimentá-las. Só são permitidos pensamentos negativos durante dois intervalos de 15 minutos ao dia (geralmente por volta de 12:10 para que acabem com o sinal de saída e às 18h, hora que não tem ninguém pra ouvir minhas cogitações absurdas à respeito do mundo e das pessoas). Otimismo exagerado de oito em oito horas, seguido de duas doses de realidade pra equilibrar a coisa. Manter-me cercada de retardados (no melhor dos sentidos) de senso de humor bem trash também têm me ajudado à acordar sozinha e de bom humor.