quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Metalinguagem

Impressionante os que sabem domar as palavras. Minha relação com elas é tão conflitante, tão cheia de fugas e buscas mal-sucedidas que não posso deixar de estranhar e admirar quem faz delas o que quer.

Esse é um dos meus muitos platonismos. Sempre estou a olhá-las de longe com a curiosidade e a volúpia do que me é alheio e por razões que não me são claras ainda, nunca consigo uma aproximação maior do que o necessário e óbvio. Tudo o que vai além disso é espremido com força, catado à custa de suor e esforço sincero dentro do mundo mudo interior.

Travo batalhas inúmeras e diárias a fim de traduzir as coisas mais banais e a simplicidade do cotidiano prático, quase totalmente indizível. Estas agora que escrevo não foram escolhidas, são como um único caminho, a única ferramenta achada e se aqui configuram não é por mérito de significação ou por questões estéticas. É puramente por não ter à mão qualquer opção, privilégio que não me foi dado nem adquirido ao longo da minha busca.

Nunca me satisfiz com uma palavra sequer que eu tenha dito ou escrito. Nunca! Sempre soube que haviam melhores e mais diretos meios de expor o que quer que seja, mas as pestes sempre me dão sobras, cascas e raspas do seu serviço, coisa que só me é concedida depois de fazerem-me doer a mudez angustiada dos seus desafetos.

Palavras me doem, cada uma delas dói de maneira singular. As que casualmente me são cobradas de pronto, de maneira a serem reação imediata, essas ainda mais e de um jeito estrangulador antes de saírem. Se as falo, é unicamente por medo de morrer finalmente sufocada com tantas delas por sair.

Se em cada discurso meu pudesse se reconhecer a luta desesperada e assustadora de que foi fruto, seria impossível admitir-me ironias, deboches ou qualquer outra inversão de sentidos. Isso por pura falta de habilidade. Mas talvez então desse reconhecimento se chegasse ao ponto de onde deveria partir qualquer início de comunicação entre eu e qualquer um que fosse. Ter a sensibilidade de entender mais os silêncios que as palavras, pois estes significam tudo o que a tentativa frustrada de dizer não pôde.

Num diálogo perfeito não haveria palavras.

Falo por necessidade dura e visceral. E dói.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Platonismos

Um amigo me falou há uns dias de uma metáfora interessante sobre pessoas. São todas copos com furos no fundo. Alguns maiores que os outros. E eu, segundo ele, nem tenho fundo. Me senti uma espécie de monstro devorador de felicidades, insaciável.

Talvez assim, descontextualizado, não faça tanto sentido quanto fez na conversa. Talvez eu devesse falar do vazio que segue todas as minhas conquistas, invariavelmente. Talvez eu devesse mencionar o quanto sou dada a platonismos, tão fora de moda.

Mas deixa pra lá... Nunca fui de falar mesmo.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

E era tão óbvio mas ele a insistir e fechar os olhos e tudo o mais que pudesse se abrir entre eles. Punhos, palavras e o olhar duros. Paladar egoísta de quem não percebe o doce dentro da casca. Ela então a apontar erros e falhas, sempre as suas invertidas no outro. Culpa de quem não sente, culpa de quem nunca fez sentir. De quem era a vez no jogo, pois? Sensibilizar-se ou sensibilizar?

sábado, fevereiro 24, 2007

Wonder around...

"Sempre que a gente tá junto, a gente fala disso..."
"Mas disso o quê? A gente sempre fala de tanta coisa."
"Disso, ué. De tudo."

Basta uma palavrinha e é como se abríssemos um parêntesis na realidade pra criarmos uma paralela mais verdadeira e mais honesta, como em nenhum momento fora dela a gente consegue ser. O momento é sempre o acaso mais imperfeitamente arranjado, com calor demais ou chuva na estação, vento que muda o curso e qualquer outra coisa cotidiana figurando secundária, só como imagem. Cinematograficamente espanhol, com o bem não intensional e a felicidadezinha triste de quem espera por coisas doces e distantes. Olhar nos olhos dá medo e pode ter consequências seríssimas, então a gente fala e aponta qualquer besteira do outro lado da rua e dicute os sonhos com a maior franqueza que cabe numa conversa. Cada palavra e cada piadinha é crescer 5 centímetros de maturidade sem se dar conta do quanto isso é sério. Depois dormir como crianças no chão da sala pra despertar do sono, mas nunca do sonho.
Crescer é perigoso, mas assim até que eu gosto.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Ok, sem dramas

Semaninha divertida me fez ver o tamanho da sorte que eu tenho tido. E esqueça-se o post anterior. =)