"Mas disso o quê? A gente sempre fala de tanta coisa."
"Disso, ué. De tudo."
Basta uma palavrinha e é como se abríssemos um parêntesis na realidade pra criarmos uma paralela mais verdadeira e mais honesta, como em nenhum momento fora dela a gente consegue ser. O momento é sempre o acaso mais imperfeitamente arranjado, com calor demais ou chuva na estação, vento que muda o curso e qualquer outra coisa cotidiana figurando secundária, só como imagem. Cinematograficamente espanhol, com o bem não intensional e a felicidadezinha triste de quem espera por coisas doces e distantes. Olhar nos olhos dá medo e pode ter consequências seríssimas, então a gente fala e aponta qualquer besteira do outro lado da rua e dicute os sonhos com a maior franqueza que cabe numa conversa. Cada palavra e cada piadinha é crescer 5 centímetros de maturidade sem se dar conta do quanto isso é sério. Depois dormir como crianças no chão da sala pra despertar do sono, mas nunca do sonho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário