Impressionante os que sabem domar as palavras. Minha relação com elas é tão conflitante, tão cheia de fugas e buscas mal-sucedidas que não posso deixar de estranhar e admirar quem faz delas o que quer.
Esse é um dos meus muitos platonismos. Sempre estou a olhá-las de longe com a curiosidade e a volúpia do que me é alheio e por razões que não me são claras ainda, nunca consigo uma aproximação maior do que o necessário e óbvio. Tudo o que vai além disso é espremido com força, catado à custa de suor e esforço sincero dentro do mundo mudo interior.
Travo batalhas inúmeras e diárias a fim de traduzir as coisas mais banais e a simplicidade do cotidiano prático, quase totalmente indizível. Estas agora que escrevo não foram escolhidas, são como um único caminho, a única ferramenta achada e se aqui configuram não é por mérito de significação ou por questões estéticas. É puramente por não ter à mão qualquer opção, privilégio que não me foi dado nem adquirido ao longo da minha busca.
Nunca me satisfiz com uma palavra sequer que eu tenha dito ou escrito. Nunca! Sempre soube que haviam melhores e mais diretos meios de expor o que quer que seja, mas as pestes sempre me dão sobras, cascas e raspas do seu serviço, coisa que só me é concedida depois de fazerem-me doer a mudez angustiada dos seus desafetos.
Palavras me doem, cada uma delas dói de maneira singular. As que casualmente me são cobradas de pronto, de maneira a serem reação imediata, essas ainda mais e de um jeito estrangulador antes de saírem. Se as falo, é unicamente por medo de morrer finalmente sufocada com tantas delas por sair.
Se em cada discurso meu pudesse se reconhecer a luta desesperada e assustadora de que foi fruto, seria impossível admitir-me ironias, deboches ou qualquer outra inversão de sentidos. Isso por pura falta de habilidade. Mas talvez então desse reconhecimento se chegasse ao ponto de onde deveria partir qualquer início de comunicação entre eu e qualquer um que fosse. Ter a sensibilidade de entender mais os silêncios que as palavras, pois estes significam tudo o que a tentativa frustrada de dizer não pôde.
Num diálogo perfeito não haveria palavras.
Falo por necessidade dura e visceral. E dói.
Esse é um dos meus muitos platonismos. Sempre estou a olhá-las de longe com a curiosidade e a volúpia do que me é alheio e por razões que não me são claras ainda, nunca consigo uma aproximação maior do que o necessário e óbvio. Tudo o que vai além disso é espremido com força, catado à custa de suor e esforço sincero dentro do mundo mudo interior.
Travo batalhas inúmeras e diárias a fim de traduzir as coisas mais banais e a simplicidade do cotidiano prático, quase totalmente indizível. Estas agora que escrevo não foram escolhidas, são como um único caminho, a única ferramenta achada e se aqui configuram não é por mérito de significação ou por questões estéticas. É puramente por não ter à mão qualquer opção, privilégio que não me foi dado nem adquirido ao longo da minha busca.
Nunca me satisfiz com uma palavra sequer que eu tenha dito ou escrito. Nunca! Sempre soube que haviam melhores e mais diretos meios de expor o que quer que seja, mas as pestes sempre me dão sobras, cascas e raspas do seu serviço, coisa que só me é concedida depois de fazerem-me doer a mudez angustiada dos seus desafetos.
Palavras me doem, cada uma delas dói de maneira singular. As que casualmente me são cobradas de pronto, de maneira a serem reação imediata, essas ainda mais e de um jeito estrangulador antes de saírem. Se as falo, é unicamente por medo de morrer finalmente sufocada com tantas delas por sair.
Se em cada discurso meu pudesse se reconhecer a luta desesperada e assustadora de que foi fruto, seria impossível admitir-me ironias, deboches ou qualquer outra inversão de sentidos. Isso por pura falta de habilidade. Mas talvez então desse reconhecimento se chegasse ao ponto de onde deveria partir qualquer início de comunicação entre eu e qualquer um que fosse. Ter a sensibilidade de entender mais os silêncios que as palavras, pois estes significam tudo o que a tentativa frustrada de dizer não pôde.
Num diálogo perfeito não haveria palavras.
Falo por necessidade dura e visceral. E dói.
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