E cá estamos novamente, Arraial do Cabo, Arraial de vento, Arraial de sempre. Das ruas que terminam invariavelmente num lugar conhecido. Das caras de conhecidos estranhos, veranistas desde quando minha memória alcança. Arraial de meninas e meninos bonitos. Arraial de lembranças, do meu primeiro beijo. Arraial onde senti as saudades do primeiro namorado, e onde também me curei da fossa do final do namoro. Arraial do primeiro porre, do primeiro cigarro. Arraial pra onde todos os anos trago livros e saudades. Arraial nublado que é só meu e Arraial de sol pra todos. Arraial de queimaduras do sol, de balinhas de gelatina, do picolé "só fruta é o picolé, quem vai?" que o velhinho simpático vende na Prainha desde sempre. Arraial do melhor açaí do mundo e dos cabelos o tempo todo despenteados pelo vento que não dá descanso. Arraial de rostos que só duram instantes curtos, dos quais nunca mais saberei nada. Arraial de planos para o resto do ano, Arraial de butecos pequeninos, de quadros de barcos nas paredes. Arraial dos pescadores, muito mais Arraial, com seus conhecimentos e histórias. Arraial de casuarinas e do cais onde é tão mais gostoso sentar pra fazer nada. Arraial onde meus pés andam rápido livres, forros, levando a cabeça vazia de qualquer preocupação para ver mais pracinhas de canteiros coloridos. Arraial das pracinhas e crianças brincando. Arraial e suas pracinhas, eu criança brincava. Arraial do Cabo, Arraial de vento, Arraial de sempre.
quarta-feira, janeiro 03, 2007
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