Você passa a vida inteira achando que o universo é desinteressante assim porque as pessoas vivem a te limitar com sua moral, que nunca te convenceu de ser justa, nem quando você tinha 10 anos e era coroinha. Se convence de que a sua gaiola foram os outros que construíram e lá te enfiaram e a única esperança de sair dela é ir morar num cômodo que fede e tem infiltrações pelo teto, isso só depois de trabalhar um bom tempo num emprego que te escraviza, se meter numa outra gaiola. Mas na primeira oportunidade de mostrar que de fato a culpa não é sua, você covardemente se encolhe no fundo da gaiola e percebe que só é prisioneira da sua própria covardia e da falta de amor-próprio, que você nunca soube mesmo o que era. E sempre esteve convencida de que ninguém mesmo é feliz, por mais que o mundo e as pessoas te dêem demonstrações sinceras de que você está enganada. E então cai a sua ficha e você é obrigada a admitir que seus problemas maiores - aqueles que de tão grandes você não é capaz de identificar - são tudo um produto da sua falta de coragem e da sua autopiedade. E sempre achou que as pessoas têm valores sem fundamentos, até se descobrir sem princípios e sem apoio da própria consciência. Acreditou um longo tempo que não se ofendia por não ser uma pessoa chata o bastante pra guardar rancor e vê que na verdade é pura falta de auto-respeito. Olha pra si e vê qualquer coisa que não o que as pessoas acham que você é. Olha e não vê ninguém além de uma pessoa que você não conhece e que não te parece grande coisa.
sábado, outubro 14, 2006
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Um comentário:
Nossa mimin, q cosia profunda!!!
Eu amei esse seu post!!!
Vc escreveu muito bem!!!!
Minha gaiola nào me pertence!
Bjão pra tí
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