domingo, julho 23, 2006

Desconfio que essas férias de mentira só servirão pra atrasar as coisas. Não há como descansar com uma pilha de coisas e folhas e livros me acusando de irresponsável e preguiçosa que tenho sido. Entretanto, é difícil manter o ritmo (que já era lento) acordando às 2 da tarde. Daí nem descanso, nem estudo. Saco de férias... Diversão é palavra fora do meu vocabulário ultimamente. Devo passar mesmo o tempo numa overdose de internet e filmes pra não perder o costume. Falando em filmes... Que filme hein, Lavoura Arcaica! O diálogo dos personagens do Senton Melo e Raul Cortez vale o filme inteiro. E as cenas da infância, que cenas lindas... Enfim, voltando ao assunto, acho que essa semana vai ser um grande domingão, e nem é daqueles coloridos não. Domingo dos chatos, com sol demais entrando pela janela, sono demais, horas e horas longas, longuíssimas horas demais. Domingo é um dia filho-da-puta mesmo. As ruas ficam feias, as pessoas cansadas, o sol quente queimando, a piscina vazia sem uma criança berrando e correndo em volta dela. O mundo tem mais o que fazer no domingo, eu não. Fico com a casa vazia, a tarefa por fazer, a vida pra acontecer na segunda. E quando acaba, ahhh, quando acaba o domingo é tão insuportavelmente chato. Definitivamente, domingo é a única coisa ruim que é pior quando acaba. Aquela droga de musiquinha do Fantástico, aquela droga de zona no quarto por arrumar, aquela droga de compromisso esquecido no outro dia, aquela droga irremediável de achar que a vida cotidiana é tão cansativa quanto um domingo de 24 mil horas vazias. Vazio. Vaziiiiio que dá eco é o que tenho sentido. Tudo em mim anda bem vazio, com excessão do estômago, sempre cheio de sentimentos mal-digeridos e açúcar que me enjoam a alma e engordam o corpo. Vomitaria tudo se tivesse dedos longos o suficiente para alcançar a garganta e atitude e imaginação pra deixar a merda de filosofia "deixa como está ra ver como é que fica" que vem guiando tudo que faço (ou deixo de fazer) desde o ponto mais longe que minha memória consegue alcançar. Não que ela seja boa e vá muito longe... Não, minha memória é bem fraca. Esqueço acertos e erros com uma facilidade impressionante, talvez por isso aprenda pouco ou nada quando deveria chegar às conclusões lógicas que me saltam na cara. Mas esqueço coisas, fatos e, triste, esqueço pessoas também. Mas issso é uma história suficientemente longa pra me deixar com preguiça e preferir o vazio do domingo à ressuscitar certos cadáveres já fedendo no passado dos meus sentimentos.

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